11 setembro 2008

* a confissão.

Sabem qual sempre foi o meu grande sonho de criança? Francamente, já nem eu me lembro. Tenho vagas ideias de como era em pequeno. Esqueci o meu “eu”, para viver em outras pessoas. Desliguei a minha vida, e moldei-a conforme a disponibilidade social dos outros. Dei a mão ao luxo, e fascinei-me com o brilho de um mundo que na verdade não era para ser meu. Perguntei-me a mim mesmo, o porquê de só agora ter este peso de consciência, depois de tudo!? E não soube responder, nem a esta, nem a tantas outras questões que coloquei ao meu coração. “É como uma bola de neve, que quanto maior, mais difícil é desfazermo-nos dela”, por isso deixamo-la rolar. Talvez tenha sido o meu erro. Não consigo ver a pena nos meus gestos, nem o medo daquilo que me poderá acontecer. Serei uma pessoa assim tão fria ao ponto de não o conseguir sentir? Sou apologista que tudo na vida se consegue substituir, e fiz isso em relação a muitas das coisas que hoje tenho! Encantei-me com uma vida que nem devia ser minha, substitui o lugar de uma pessoa que merecia ter tudo isto. E por mais que saiba que estou errado, não sou capaz de libertar-me deste mal, nem da culpa que se deita comigo todas as noites. Eu não era assim tão ingénuo como parecia, sabia o que estava a acontecer, enquanto olhava para mim, eu fechava os olhos e acreditava que não iria doer. Enquanto deitado, enrolado em lençóis de linho, as minhas lágrimas contornavam os limites da minha face. Naquele momento só me lembrava das palavras que meu pai me dissera em tempos, “Há que fazer sacrifícios, para chegarmos onde queremos”. Era isso que eu reputava dentro de mim, um sacrifício para um sonho. Todos os temos que fazer, certo? Uns de uma forma mais dolorosa que outros.Naquela mesma noite, sentia o meu corpo enojado, vendido. Se valeu a pena? Não sei. Roubar uma vida que não é nossa, não é bonito. Mas vender o nosso corpo, para o conseguir fazer, muito menos bonito torna este quadro que nem pela metade esta, a que chama-mos “lei da sobrevivência”. Vendi a minha alma, por momentos de glória e reconhecimento, que na verdade não são meus. Confesso, que hoje quando adormeço. A minha culpa conta-me as piores verdades possíveis, ao ouvido, bem baixinho, para que ninguém a oiça. Porque até “ela”, tem medo de deixar de dormir nos lençóis de linho.

5 comentários:

Serginho Tavares disse...

lindo post amigo.
eu me identifiquei com algumas coisas que escreveu e acho que tudo tem um tempo. e quando a gente começa a amaderecer percebe essas coisas. agora você está nesse processo e entende melhor tudo isso.
seja bem vindo ao mundo adulto!
não é fácil mas vale a pena.

Anónimo disse...

frio nao me acredito que sejas,tenho a certeza que n o es.sabes que hoje em dia as pessoas fazem tudo para realizar um sonho,mas cabemos sp a nos querer fazer tudo ou nao.eu quero acreditar q s nos esforçarmos mesmo consigos,por mérito proprio,prefiro acreditar q sim e nc desisto do meu grande sonho.sto é tudo tao complexo.sinto q tal como eu es tao verdadeiro,mas q as vezes ficas confuso,sem saber q rumo tomar.
bj grande

Filipe Carrilho disse...

Caro amigo 'Serginho Tavares'.
Confesso que tenho medo deste mundo, e de que nele existe. Mas especialmente tenho medo de um pessoa, da única que é capaz de me tirar tudo o que tenho hoje, pq na verdade, o que é meu hoje. Não foi meu sempre. :x

Filipe Carrilho disse...

Cara amiga 'Mariana'.
Gosto de ler a parte em que dizes "sinto que tal como eu es tão verdadeiro, mas que ás vezes ficas confuso". Um dia cruzei-me com dois caminhos opostos e acho que hoje quando olho para trás devia ter seguido por outro. Talvez não temesse tnt coisa, como hoje. Beijo!

Anónimo disse...

mas nao vale apena chorar sobre o leite derramado como se costuma dizer.agora é seguir em frente,para a frente é o caminho,e tens q ter força para enfrentares os teus problemas,nisto n sei s seremos iguais,eu sou mt forte,tenho uma grande força interior