14 setembro 2008

* eterno...

Dediquei-me por inteiro, sem pensar duas vezes, no que gostava, no que queria ou no que tinha para fazer. Marcava para qualquer hora, para qualquer dia, porque a única coisa que me preocupava é que tinha que ser perfeito. Passei um ano da minha vida, a pensar primeiro nas preferências de uma outra pessoa, nos gostos de uma outra pessoa, nos planos de uma outra pessoa. Vendo bem, tudo girava em volta de uma outra pessoa, que não eu. Via-me como um “amigo/irmão”, eu sentia-me lisonjeado. Mas para mim não era suficiente. Eu queria ocupar um lugar mais, mais e mais importante cada dia na sua vida. Comecei a sentir que se poderia estar a tornar algo mais obsessivo, e sinceramente olhava-me no espelho já com um certo medo, da pessoa que me estava a tornar. Desapeguei-me, e afastei-me para o meu próprio bem, e não só. Não se notou grande diferença cá fora, mas cá dentro a mudança foi radical. Sorri nos momentos em que tinha vontade de chorar, tornei-me mais duro quando sentia que precisava de uma palavra mais reconfortante. Na minha cabeça (não no meu coração), era assim que tinha que ser feito. E nada me levaria a deixar de lhe falar, apesar de ser esse o conselho que todos me davam, para a solução milagrosa. A minha vida tornou-se uma inconstante de recaídas e decisões. Queria que aos seus olhos, parecesse uma pessoa imune a qualquer advertência da vida. Não nego, e digo com todas as palavras que ainda gosto sim, mas passo a citar, “como um amigo/irmão”. Hoje reorganizo este coração tonto, para que cada dia que passe, outra pessoa o possa ocupar com a mesma intensidade que esta um dia ocupou. Falou-me de magia, e disse-me que ainda não tinha encontrado “aquela alma”, confesso que fiquei a pensar naquela frase por breves momentos. E não cheguei a nenhuma conclusão lógica, filosófica ou simplesmente banal para tal coisa. Não acredito mais no amor, acredito sim que exista um sentimento que una as pessoas, não para sempre, porque nada é eterno. Hoje quero saber que lugar ocupo eu no teu coração?