Conta-me os teus segredos. Pergunta-me as tuas dúvidas. E esclarece-me, a questão existencial da minha vida. Construi uma vida de vidro, cheia de falhas, aparentemente perfeita. Mas existem vidas perfeitas? Todos nós procuramos as respostas para as nossas perguntas. Um objectivo de qualquer ser humano, que se questione sobre a sua existência, futuro. Cheio de receios, eu sou assim. (Confesso-me medroso). Não me lembro do último toque, do último beijo, do último carinho. Não me lembro de ser amado por uma pessoa estranha. Ocupei a minha vida de uma forma controlada, e programada, em que os dias passam, e eu não os respiro. Sinto-me absorvido pelas pessoas, que me rodeiam a todo o instante. Não era esta a vida que eu sonhava, quando eu era uma criança, que vivia no meio do nada, em que as minhas únicas preocupações eram as brincadeiras. Não encontrarei mais essa criança, nem dentro, nem fora de mim. Consegui com o meu egoísmo, egocentrismo, ambição, destruir a restante pureza que nela existência. Hoje que essa criança, não é mais criança. Relembra-se do dia em que saiu de casa, e deixou para trás, os momentos que talvez foram os mais preciosos, que alguma vez teve. Nem as fotografias mais marcantes, podem contar o que se sentia, quando chegava a casa, e tinha uma mãe para abraçar ou um pai para brincar. Nem as fotografias mais marcantes, podem contar o que se sente, quando se chega a casa, e já se não tem uma mãe para abraçar, nem um pai para brincar. Sente-se mais vazio, não existem tantas cores dentro das quatro paredes que eu desenhei. O tempo passa mais devagar, e o som da televisão ocupa a predominância do silêncio. Procuramos sorrir, procuramos os motivos para o fazer. Mas valeu a pena tudo isto?