28 setembro 2008

* carta de amor.

"Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti, em ti, em ti, minha vida, meu tudo! Adeus, queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig. Eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos."

Ludwing Beethoven, em 'carta de amor á amada imortal'.

É este amor, o único em que eu acredito. Será que ele existe?

14 setembro 2008

* eterno...

Dediquei-me por inteiro, sem pensar duas vezes, no que gostava, no que queria ou no que tinha para fazer. Marcava para qualquer hora, para qualquer dia, porque a única coisa que me preocupava é que tinha que ser perfeito. Passei um ano da minha vida, a pensar primeiro nas preferências de uma outra pessoa, nos gostos de uma outra pessoa, nos planos de uma outra pessoa. Vendo bem, tudo girava em volta de uma outra pessoa, que não eu. Via-me como um “amigo/irmão”, eu sentia-me lisonjeado. Mas para mim não era suficiente. Eu queria ocupar um lugar mais, mais e mais importante cada dia na sua vida. Comecei a sentir que se poderia estar a tornar algo mais obsessivo, e sinceramente olhava-me no espelho já com um certo medo, da pessoa que me estava a tornar. Desapeguei-me, e afastei-me para o meu próprio bem, e não só. Não se notou grande diferença cá fora, mas cá dentro a mudança foi radical. Sorri nos momentos em que tinha vontade de chorar, tornei-me mais duro quando sentia que precisava de uma palavra mais reconfortante. Na minha cabeça (não no meu coração), era assim que tinha que ser feito. E nada me levaria a deixar de lhe falar, apesar de ser esse o conselho que todos me davam, para a solução milagrosa. A minha vida tornou-se uma inconstante de recaídas e decisões. Queria que aos seus olhos, parecesse uma pessoa imune a qualquer advertência da vida. Não nego, e digo com todas as palavras que ainda gosto sim, mas passo a citar, “como um amigo/irmão”. Hoje reorganizo este coração tonto, para que cada dia que passe, outra pessoa o possa ocupar com a mesma intensidade que esta um dia ocupou. Falou-me de magia, e disse-me que ainda não tinha encontrado “aquela alma”, confesso que fiquei a pensar naquela frase por breves momentos. E não cheguei a nenhuma conclusão lógica, filosófica ou simplesmente banal para tal coisa. Não acredito mais no amor, acredito sim que exista um sentimento que una as pessoas, não para sempre, porque nada é eterno. Hoje quero saber que lugar ocupo eu no teu coração?

13 setembro 2008

* a tua lembrança.

Estou sentado no meio escuridão, e mais uma vez não consigo dormir e não sei porque mas ouço anos 80, por mais estranho que pareça eram as tuas preferidas, não era? Hoje não é o teu aniversário, nem anos de partida, mas subitamente bateu-me aquela saudade. Entendes? Nada há nada mais para fazer cá em casa, nem a chegas-te a visitar. Irias adorar, é bem diferente da outra. Há poucos dias fiz 19 anos, já não vivo com os meus pais. Agora estou e viver em Lisboa, estudo também, Turismo. Estou de férias naquela nossa terra, este Verão nem fez muito calor. Acreditas? Já não é a mesma coisa. Mas enfim. Hoje deitei os jornais mais velhos fora, e limpei os pratos sujos. Olho para estas pequenas flores no parapeito da janela e vejo que precisam de ser regadas. Lembro-me como se fosse ontem que me dizias, “és mesmo desleixado com as coisas!”, com aquele teu sorriso contagiante, a passares a mão no meu cabelo, porque sabias que me irritavas por ficar despenteado. Eu era feliz não era? Sabes que por mais surpreendente que fosse, não estou com as lágrimas nos olhos, nem triste por estar a escrever estas palavras. Mas sim com um sorriso, por recordar tanta coisa que parecia que o passado já tinha levado. Já se passou tanta merda desde a tua partida, e acho que hoje serias a pessoa perfeita para eu contar tudo, se não me engano já lá vão quatro anos, quase cinco. Sabes o que ainda tenho comigo? A tua carta. Com a tinta um pouco borrada por causa das lágrimas lá caídas, mas ainda esta descansado porque ainda é legível.

“Para: Filipe.
Nem as coisas mais belas escapam a uma tragédia. Fiz uma coisa, e sei que sou culpado. Engraçado é que não me sinto mal por isso, foi óptimo. Mas errado! Sei que quando leres isto, vais pensar que afinal a culpa foi tua, mas não. Estas totalmente errado, como sempre. Porque eu é que tenho sempre razão, lembras-te?A culpa distrai-nos da verdade, sempre tivemos a capacidade de auto-curarmo-nos. Somos capazes de sobreviver inclusivamente ás piores dores. Sabes como? Com a prática. Esta é só uma delas. É para ires aprendendo. Eu disse-te que um dia ensinaria-te alguma coisa de útil para o futuro. Então esta é a tua primeira lição: aprender a lidar com a minha ausência física, porque eu sei que vou estar sempre presente, e onde também.”

Não fui capaz de me despir de ti, vi-te de longe. Era imensa gente, e eu não tinha coragem para fazer aquilo que devia ter feito, ir ficar perto de ti, nos últimos momentos em que te ia ver. O que tenho para te contar ainda não acaba aqui, alguns dias depois, os teus pais decidiram ir embora daqui, diziam que seguiriam para um pais distante. Nunca mais soube nada deles, mas fui ter com a tua mãe, peguei na mão dela, abri-a e lá coloquei-lhe o teu relógio (sim, aquele cor de laranja e azul que tu adoravas, e que tinhas esquecido um dia lá em casa), por mais que me conte-se as lágrimas caiam de fio, e disse-lhe, “Era muito amigo do seu filho, ele perdeu o relógio. Quero que saiba que sinto muito. Aterroriza-me saber que posso lhe ter causado uma dor destas!”. Ela, naquele momento, percebeu tudo e abraçou-me. E disse-me que nunca na vida dela, tinha visto o filho tão contente, como ela te tinha visto, naquele dia. Obrigado!

(1985-2004)

Música: Don't Dream It's Over (artist: Crowded House / album: Journeys)

11 setembro 2008

* a confissão.

Sabem qual sempre foi o meu grande sonho de criança? Francamente, já nem eu me lembro. Tenho vagas ideias de como era em pequeno. Esqueci o meu “eu”, para viver em outras pessoas. Desliguei a minha vida, e moldei-a conforme a disponibilidade social dos outros. Dei a mão ao luxo, e fascinei-me com o brilho de um mundo que na verdade não era para ser meu. Perguntei-me a mim mesmo, o porquê de só agora ter este peso de consciência, depois de tudo!? E não soube responder, nem a esta, nem a tantas outras questões que coloquei ao meu coração. “É como uma bola de neve, que quanto maior, mais difícil é desfazermo-nos dela”, por isso deixamo-la rolar. Talvez tenha sido o meu erro. Não consigo ver a pena nos meus gestos, nem o medo daquilo que me poderá acontecer. Serei uma pessoa assim tão fria ao ponto de não o conseguir sentir? Sou apologista que tudo na vida se consegue substituir, e fiz isso em relação a muitas das coisas que hoje tenho! Encantei-me com uma vida que nem devia ser minha, substitui o lugar de uma pessoa que merecia ter tudo isto. E por mais que saiba que estou errado, não sou capaz de libertar-me deste mal, nem da culpa que se deita comigo todas as noites. Eu não era assim tão ingénuo como parecia, sabia o que estava a acontecer, enquanto olhava para mim, eu fechava os olhos e acreditava que não iria doer. Enquanto deitado, enrolado em lençóis de linho, as minhas lágrimas contornavam os limites da minha face. Naquele momento só me lembrava das palavras que meu pai me dissera em tempos, “Há que fazer sacrifícios, para chegarmos onde queremos”. Era isso que eu reputava dentro de mim, um sacrifício para um sonho. Todos os temos que fazer, certo? Uns de uma forma mais dolorosa que outros.Naquela mesma noite, sentia o meu corpo enojado, vendido. Se valeu a pena? Não sei. Roubar uma vida que não é nossa, não é bonito. Mas vender o nosso corpo, para o conseguir fazer, muito menos bonito torna este quadro que nem pela metade esta, a que chama-mos “lei da sobrevivência”. Vendi a minha alma, por momentos de glória e reconhecimento, que na verdade não são meus. Confesso, que hoje quando adormeço. A minha culpa conta-me as piores verdades possíveis, ao ouvido, bem baixinho, para que ninguém a oiça. Porque até “ela”, tem medo de deixar de dormir nos lençóis de linho.

06 setembro 2008

* sou doente.

Mil medos me afligem, o coração aperta e os olhos brilham. Não sei como vos contar. As palavras não me saem, dando voltas e voltas cá dentro, milhares de lembranças e sentimentos num turbilhão de emoções que me pressiona cada vez mais. Escondo mais uma vez, o que sinto, apago todos os momentos em mim que o possa reacender. Evito pensar, sentir ou até mesmo tocar nesta "ferida". Numa luta existencial que enfrento todos os dias comigo mesmo, descubro novos sentidos em mim. Não sou uma pessoa possessiva, mas "ela" corre-me no sangue, controla os meus pensamentos fazendo com que me torne numa pessoa doente. Quero descobrir a cura!"

04 setembro 2008

* ela.


A força da amizade vence todas as diferenças! Para quê diferenças se somos amigos? Se temos defeitos, não nos importamos. Trocamos segredos. Nas horas mais certas ou até mesmo naquelas incertas, chegamos no momento certo. Amparamo-nos. Defendemo-nos. Sem pedir algo, fazêmo-lo porque sentimo-nos felizes. Adoramo-nos. Apreciamo-nos. Admiramo-nos! Aceitamo-nos sem querermos mudanças. Compartilhamos os nossos momentos de alegria (e não só!).
Ela contou-me um segredo, e só quero que ela me prometa que vá ser feliz. Uns procuram a felicidade, outros têm-na mesmo em frente, fecha os olhos e deixa que ela fale baixinho ao teu ouvido, e responde-lhe "fazes-me feliz."

02 setembro 2008

* não digas nenhuma palavra, apenas ouve.

Eu estou a tentar á dias, pensar em alguma maneira para encontrar as palavras que façam sentido de como nós nos comportámos. E isso provavelmente leva algum tempo, então por agora apenas ouve-me.
Sabes quando o amor me deixou louco, ao ponto de não ver mais nada á minha volta se não a ti!? Eu apenas continuei a ir mais longe, acreditando nas palavras que nunca me disseste. Pensei que escondendo todos os meus sentimentos estaria protegendo o meu coração, mas tu não o sabias. Ou talvez não lhe deste o devido valor.
'No cinema de mão dada com ele', estavas tão feliz, e eu tão despedaçado por dentro que a tua felicidade não enxergava a minha tristeza, guardei-a para mim. E fiz dela o meu segredo até hoje. Lembro-me quando te conheci na praia, atrás daquelas rochas, tinhas uma luz no teu olhar, um certo tipo de luz, que nunca brilhou em mim.
Durante todo este tempo pensei que precisasses de mim, mas afinal quem precisava realmente de mim, era eu mesmo. Hoje de repente o mundo é tão grande, e as horas passam tão de devagar. Sente o meu lado, e eu sentirei o teu melhor, mas nunca me ames, porque eu nunca vou voltar a amar-te novamente.
Não digas nenhuma palavra, apenas ouve.