E foi assim, que o Alentejo foi o meu último local de descanso. As minhas lembranças foram espalhadas pela relva que eu um dia caminhei, entre árvores que um dia já me proporcionaram sombra, por cima de rosas que eu já admirei, e entre cercas, em que eu já me encostei e coscuvilhei, e depois que as pessoas que me amam terminaram de se despedir. O vento levou-me e tudo o que sobrou de mim voou pelo ar. Enquanto olhava para o mundo abaixo. Comecei a me desprender do que era material. Desencostei-me das cercas brancas, dos passeios por Milfontes, dos dias quentes de Verão. Desprendi-me de tudo aquilo que me parecia tão normal, mas que quando se une ponto a pouco, consegues se construir uma vida. Uma vida que realmente foi especial de uma forma única. Vou-te contar: Não é fácil, abandonar-mos o local que chamamos casa, quando na verdade se sabe o que se lá viveu. E eu vivi. Ah como eu vivi.